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O cooperativismo é uma doutrina social que tem como pedra fundamental a coligação de esforços em prol de objetivos coletivos. Resumidamente, tem como idéia central a máxima “A união faz a força.”
No cooperativismo, pessoas com objetivos comuns trabalham em conjunto, otimizando o potencial individual. Dessa situação, resulta que a soma dos esforços individuais é superior a esses quando consideradas isoladamente. Ou seja, há sinergia, que permite aos cooperados obterem resultados melhores (quantitativa e qualitativamente) na área na qual empregam o cooperativismo.
No século XVIII, após a bem sucedida experiência dos Pioneiros de Rochdale (em 1844, na Inglaterra), o cooperativismo se difundiu pela Europa e atingiu o status de sistema sócio econômico.
Como ferramentas dos ideais cooperativistas, são empregadas as sociedades cooperativas, espécie de pessoa jurídica reconhecida pela legislação de diversos Países, nas quais a atuação coletiva é fundamentada no interesse comum dos cooperados. Além disso, outro importante traço distintivo das cooperativas é que essas não têm finalidade de lucro, servindo apenas de projeção (ou prolongamento) de seus cooperados (também denominados de membros utentes).
Portanto, na cooperativa, se faz presente a dupla qualidade dos associados, que são, ao mesmo tempo, donos e beneficiários do negócio.
Para ilustrar a importância social e econômica do cooperativismo em nível nacional, segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras, as cooperativas respondem por 6% do PIB brasileiro, além de apresentarem um faturamento anual de R$ 68 bilhões e somarem exportações diretas de US$ 2,8 bilhões anuais. Em 2007, existiam 7.603 cooperativas no Brasil, totalizando 7.393.075 cooperados e gerando mais de 218.000 empregos diretos. Assim, há mais de 24.000.000 de pessoas envolvidas nos processos produtivos das cooperativas nacionais.
Atenta a grande difusão do cooperativismo e para evitar que o sistema fosse deturpado ou sua denominação fosse indevidamente utilizada (como infelizmente ocorre por vezes), já no ano de 1937 a Aliança Cooperativa Internacional formulou os sete princípios universais do cooperativismo, os quais permitem que os empreendimentos cooperativistas sejam como tal reconhecidos.
Esses princípios são: • adesão voluntária e livre; • gestão democrática pelos membros; • participação econômica dos membros; • autonomia e independência; • educação, formação e informação; • intercooperação; • interesse pela comunidade.
Dentre esses princípios, merece especial destaque o do interesse pela comunidade, pois o mesmo demonstra que já naquela época havia grande preocupação do cooperativismo com o interesse social, não apenas no âmbito interno da organização, mas abrangendo também a comunidade. Ou seja, as cooperativas já praticavam os conceitos hoje tão difundidos sob a denominação de responsabilidade social empresarial.
No campo teórico, é comumente apontada como marco inicial da responsabilidade social a obra Responsabilities of the Businessman de Howard Bowen, publicada no ano de 1953 nos Estado Unidos.
Na prática, também no ano de 1953 e nos Estado Unidos, ocorreu o caso A. P. Smith Manufacturing verus Barlow, quando a Suprema Corte decidiu que a organização pode doar parcelas de seu lucro para atividades voltadas ao desenvolvimento social. A partir da década de 60 houve rápida evolução da responsabilidade social no universo empresarial e, hoje, as empresas vêm dedicando especial atenção ao fomento da responsabilidade social.
Atualmente, diversas pesquisas indicam que as ações sociais positivas conseguem cativar grande simpatia junto ao público consumidor. Em razão disso, surgiu também o marketing social e muitas empresas têm investido (de maneira legítima) na melhoria das condições coletivas.
Por outro lado, nas cooperativas o interesse pela comunidade é uma preocupação constante desde os primórdios da consolidação do sistema cooperativista, circunstância que demonstra claramente que o cooperativismo é uma importante alternativa para difundir e concretizar a economia solidária e, assim, minimizar as injustiças sociais hoje tão presentes em nosso cotidiano. |